A discussão sobre o futuro do plástico tem ganhado cada vez mais espaço no Brasil. Além de abordar sobre restrições, substituição de materiais ou novas legislações, o debate atual exige uma visão mais ampla: como fortalecer a reciclagem, ampliar a economia circular e garantir uma transição justa para toda a cadeia produtiva.
Esse foi o foco da audiência pública realizada no dia 26 de junho, que discutiu a transição dos plásticos para a economia circular, reunindo representantes do setor, entidades, lideranças e instituições envolvidas com o desenvolvimento sustentável da cadeia do plástico.
Para a Copaza, acompanhar esse movimento é fundamental. Como indústria que atua no setor de descartáveis, entendemos que o avanço da sustentabilidade passa por informação, responsabilidade compartilhada e soluções viáveis para o pós-consumo.
A importância do setor plástico no Sul de Santa Catarina
O setor plástico tem papel estratégico para a economia regional.
O Sul de Santa Catarina é reconhecido como o 1º Polo Nacional de Descartáveis, o 2º Polo Nacional de Reciclagem de Plásticos e também como referência nacional em embalagens.
A cadeia reúne cerca de 240 indústrias, gera aproximadamente 12,3 mil empregos diretos e 48 mil empregos indiretos, além de movimentar cerca de R$ 6,3 bilhões por ano e gerar R$ 2,5 bilhões em valor adicionado anual.
Esses números mostram que o plástico não deve ser tratado apenas como um produto de consumo. Ele faz parte de uma cadeia produtiva ampla, que envolve indústria, comércio, serviços, trabalhadores, catadores, cooperativas, recicladores, municípios, universidades e consumidores.
Por isso, qualquer discussão sobre o futuro do setor precisa considerar também a geração de empregos, a renda das famílias, a competitividade das empresas e a capacidade real de ampliar a reciclagem no país.

O debate precisa ser sobre construir soluções
Um dos pontos centrais apresentados durante o debate é que os plásticos de uso único e os plásticos de baixa reciclabilidade não devem ser vistos apenas como um problema sem solução.
O caminho defendido pelo setor é outro: comprovar soluções, fortalecer a reciclagem, ampliar a rastreabilidade e criar condições para que esses materiais tenham uma segunda vida dentro da cadeia produtiva.
Isso significa sair de uma lógica linear, em que o produto é produzido, consumido e descartado, para uma lógica circular, em que o material pode retornar ao processo produtivo e gerar novos produtos.
A diferença é que na economia linear, o ciclo termina no descarte. Já na economia circular, o objetivo é fazer o material voltar para a cadeia, reduzindo desperdícios e aumentando o reaproveitamento.
Reciclagem como prioridade para o setor
O Inova Sul Infobook Indústria Plástica é um levantamento que analisou o panorama do setor plástico na região e apontou rotas prioritárias para o futuro da cadeia. Entre os principais caminhos, o estudo destacou a necessidade de ampliar os índices de reciclagem, fortalecer a educação ambiental e avançar na economia circular.
Para que a economia circular aconteça de forma real, é necessário investir em educação ambiental, coleta seletiva, triagem, tecnologia, rastreabilidade e valorização dos profissionais que atuam na cadeia da reciclagem.
Caminhos práticos para o pós-consumo
Quando falamos sobre o futuro do plástico, um dos pontos mais importantes é o pós-consumo. Ou seja: o que acontece com o produto depois que ele é utilizado.
A construção de uma economia circular não depende de uma única solução, mas de um conjunto de ações que envolvem educação, estrutura, tecnologia, inovação e inclusão social.
Entre os caminhos possíveis estão a conscientização sobre o descarte correto, a ampliação da coleta seletiva, o fortalecimento das centrais de triagem, o uso de tecnologias para rastrear o caminho dos resíduos e o desenvolvimento de novas aplicações para materiais reciclados.
Outro ponto essencial é a valorização dos catadores e cooperativas, que têm papel fundamental na cadeia da reciclagem. Quando esses profissionais contam com melhores condições de trabalho, capacitação e estrutura, toda a cadeia se fortalece.
Essas ações mostram que a transição para uma economia mais circular precisa ser construída de forma coletiva. Não é uma responsabilidade apenas da indústria, do consumidor ou do poder público. É um movimento que depende da conexão entre todos os elos da cadeia.
Por que esse movimento importa para as empresas
Para empresas do setor plástico, o avanço da economia circular está diretamente ligado a temas como logística reversa, uso de matéria-prima reciclada, fortalecimento da imagem dos produtos, ações ESG e defesa da economia regional.
Também é uma oportunidade para mostrar ao mercado que o setor está atento, mobilizado e comprometido com soluções práticas para o futuro.